sábado, 16 de janeiro de 2010

Haiti

A dor é tão profunda e intensa que ultrapassa a barreira do sentimento humano.
As pessoa estão em estado de choque, sentindo mas sem assimilar em todas as suas proporções as implicações da tragédia.
É como se o coração sentisse, mas o cérebro se perdesse.
Imagine você perdendo sua avó, seu pai, sua irmã, o padeiro que te atendia de manhã, aquela menina que você cumprimentava na faculdade... Todos se foram.
Imagine ver sua casa, seu trabalho, o restaurante onde costumava almoçar... Tudo no chão.
As pessoas perderam o que delimitava suas vidas, tudo o que as caracterizava como pessoa.
De repente, perderam suas identidades, suas bases e seus fios condutores.
É por isso que vagam aparentemente sem rumo.
Não sabem o que fazer, não sabem como fazer.
E infelizmente, receio que o pior ainda está por vir.
Quando puderem limpar a sujeira, enterrar os mortos e dar uma olhada em tudo, aí verão que não resta nada. Nesse momento, recobrarão a consciência, e entenderão que nada (ou quase nada) do que conheciam existe mais.
Terão que construir (infelizmente o termo é esse) um país inteiro com as próprias mãos. Não será fácil.
Mas já mostraram que são fortes, quantas histórias milagrosas já não foram gritadas para o mundo? Tantas pessoas resistiram dias sob os escombros e conseguiram sair vivas.
Se tiverem essa força, e se unirem verdadeiramente, não tenho dúvidas que conseguirão.
Torço, para que sejam fortes e possam construir um novo país, mais bonito e mais forte do que o que existia.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Um dia pro futuro

Lá estavam várias pessoas, algumas mais e outras menos próximas.
Muitos bebiam, alguns comiam e havia até quem fumasse.
E ali, entre sorrisos, violão e sombra, estavam unidos em círculo.
Boa música, sol ameno, vento refrescante.
A casa estava cheia, as pessoas estavam verdadeiramente felizes.
Não havia trabalho, dinheiro, nem doença ou qualquer preocupação.
Da avó serena e contida, marcada pelas experiências da vida e os habituais perfume e anéis, ao neto mais novo e agitado, com roupa colorida e mãos sujas, todos se sentiam completamente bem.
Era sábado, era churrasco e nada mais importava.
Alguns se enfezaram em determinado momento, mas foi por pouco tempo. Sempre é assim quando se trata de coisas pequenas.
E tudo que não fosse aquela alegria compartilhada por todos, era pequeno.
Pequeno diante da grandiosidade do momento, do valor que aquele dia teria para a história de cada um que ali estava.
Talvez nunca mais uma música tão boa será cantada e ouvida por bocas e ouvidos tão felizes.
Talvez, a comida nunca mais será tão farta e a bebida tão prazerosa.
Quem sabe não haverá nunca mais motivo qualquer para que pudessem se reunir.
Mas naquele dia havia tudo isso, e as pessoas puderam viver aquele momento.
Em algum lugar do tempo, em alguma memória calejada, em algum coração saudosista, ele sempre estará lá.
Um dia, aquela casa não será tão cheia e muitos já terão ido embora... Para sempre.
Mas haverá, em algum lugar, alguém que contará aos mais novos sobre aqueles anos dourados, em que as pessoas que amava estavam juntas e felizes.
E sentirá lágrimas salgadas nos lábios.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O Sol

As trevas tomam contam de tudo.
Para onde se olha nada pode ser visto, apenas a escuridão pode ser sentida.
Não há esperança, nem vida.
Olhos fechados para não ver, mentes distantes para não assimilar.
A alma está longe de tudo isso, refugiada em algum lugar seguro.
Poucos se aventuram em se manter presentes.
Um grave erro, eu diria.
Mas de repente, algo inesperado acontece.
Um guerreiro em forma de flecha dourada corta as trevas e uma chama de esperança reacende os corações.
Logo seus amigos se juntam a ele, e o que era um guerreiro solitário transforma-se no mais poderoso exército, capaz de resgatar das trevas tudo o que de bom existe.
E eles vão afugentando o mal, resgatando o bem, e mudando o que parecia perdido.
Então, como um ritual que acontece todos os dias mas nunca da mesma forma, o Rei aparece para ocupar seu trono no ponto mais alto!
Seu poder supremo inunda o céu, a terra e o mar. Tudo volta a ganhar vida, cor, calor.
É a coisa mais bela que os olhos podem contemplar.
Infelizmente o Rei não fica pra sempre. Alguns dizem que ele vai em busca de outros reinos, também ameaçados pelas trevas. Mas não se preocupe, ele sempre volta... Sempre.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A linha tênue entre razão e emoção

Somos inconstantes.
Na alegria, na dor, nos sonhos.
Agimos de acordo com o que nos convém. É claro que não raramente agimos pensando no outro. Mas o fazemos desde que esse ato provoque nesse outro, algo que voltará de forma positiva a nós mesmos. Sim, estamos em busca de uma recompensa, seja ela carinho, afeto, ou algo menos poético, como dinheiro ou sexo.
E na inconstância da ação individual, nos vemos amando e odiando com intenção. Nos vemos ajoelhados de felicidade, e cantando de tristeza. Quando outrora sorrimos de desgosto e gritamos de tédio.
Porque o ser humano é explosão, é emoção, é momento. É isso que o torna tão especial, tão admirável e tão previsível.
É o que permite que eu te xingue em um momento, e te abrace em outro.
Nossa inconstância é constante.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Reflexão interna

Ainda sou o que se pode dizer de uma casa escura e fechada, cujo o interior só pode ser imaginado. Não por acaso há um modo de tentar me desvendar, uma fresta pela qual a luz pode entrar. Você é a luz que entrará por essa fresta, se assim quiser. O que você encontrará? Essa é uma relevante pergunta, mas não é a principal. A pergunta que realmente vale à pena fazer é, O quanto você pode iluminar?

sábado, 21 de novembro de 2009

O esporte em Goiás tem que ser levado mais a sério!

É através desse meio de comunicação sério, que registro a minha total indignação diante da falta de interesse das nossas autoridades com o esporte goiano. A seleção goiana de futsal sub-17 conquistou um feito inédito para o futsal e o esporte goiano, ao vencer o campeonato nacional de seleções. É a primeira vez que uma equipe goiana é campeã nacional. Apesar disso, infelizmente não houve nenhum tipo de mobilização nem da Federação Goiana e nem do Governo estadual ou municipal. A imprensa goiana chegou a noticiar, mas de forma tímida e limitada. Estamos falando de garotos em época de vestibular, que tiveram que conciliar o esporte com os estudos, que trabalharam e se esforçaram para essa conquista, que se superaram, mas que infelizmente não viram seus esforços reconhecidos. Sinto-me envergonhada como mãe e cidadã, diante da indiferença das nossas autoridades em relação a algo que é tão importante como o esporte. É uma pena que seja dessa forma, e que esse tipo de comportamento contribua para que o esporte goiano continue marginalizado no cenário nacional.

Escrevi esse texto para Vilma Verônica, que enviou a um importante jornal de Goiânia. Resolvi publicar aqui na íntegra, pois além de eu ter sido o autor, compartilho de mesma opinão.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

De olho no Brasil

O jornal diz que pessoas morreram.
Quantas foram afinal? Uma? Quatro? Será que faz diferença?
Parece que não mais. Estamos ficando imunes à violência.
É claro que ainda nos chocamos, que muitas vezes até choramos com uma morte. Mas esse tipo de comportamento é infelizmente cada vez mais raro.
O Brasil está em uma situação, já há algum tempo, bastante delicada. O que fazer?
Jogar uma bomba em cada favela! Claro que não. Essa é uma resposta horrível dos dois pontos de vista, o racional e o emocional. A frase "não se resolve o problema da violência com violência" é tão clichê quanto pertinente. Esse é o caminho errado.
E em caminhos errados, o Brasil é pentacampeão mundial!
Bolsa escola, bolsa família, invasões a morros... Tudo faz parte de um caminho errado. Não é só na violência que a situação está crítica. Mas em quase todos os setores da sociedade. O problema é que a violência está transbordando, está insustentável!
E todos esses problemas, principalmente o da violência, só podem ser resolvidos de uma única forma: Educação.
Somente uma reforma educacional nos moldes franceses poderia resgatar o Brasil da situação que se encontra.
Não importa que o país cresça, não importa que as coisas possam melhorar de uma forma ou de outra, nada vai mudar realmente se não houver uma mudança radical na educação.
É tão fácil ver isso. Então porque ninguém ainda o fez?
Por vários motivos. Essa reforma na educação é algo extremamente complexo e delicado. Algo que não se faz de uma hora pra outra como a aprovação de leis pelo Senado. É nisso que consiste o principal motivo, os benefícios só seriam sentidos a longo prazo. E como sabem, o Brasil não é país de esperar. Todos, querem ver agora, hoje, já!