terça-feira, 30 de novembro de 2010

Você

A saudade.
Essa tal que me acompanhará pelo resto da vida...
Nunca foi tão grande, nunca foi tão difícil.
Não são os lugares, nem os objetos... São as pessoas que mais me provocam lembranças.
Cada uma que esteve com você, que viveu algo, me faz recordar.
Mas não posso reclamar, não quando pude viver tudo o que vivi.
Noites de leituras de livros à beira da cama, dias ensolarados em um clube qualquer, coca-cola no almoço, casa cheirosa no fim do dia, risadas de qualquer coisa, cobertor sem fazer vento, olha, mas olha bem, o que eu faço.
Não significa muito pra maioria mas, para nós dois, significa tudo.
Poderia ter feito muito mais, aproveitado mais, me importado mais.
Mas ainda assim, fiz muito. Fizemos muito.
Nada ficou pela metade.
Acho que a nossa amizade, o nosso companheirismo e o amor sem limites entre nós dois não pode ser apagado por coisa alguma. Sempre estará lá, nas minhas memórias, no meu coração.
E ninguém vai entender a minha dor, ou a minha alegria, quando te envolver.
Só nós dois sabemos, só nós dois.
Aprendi muito com você, muito mais da metade de tudo o que eu sei.
Você continua em mim e assim permanecerá, uma grande e importante parte do que sou.
E espera, que ainda nos encontraremos, tenho certeza.
Obrigado do fundo do meu coração por tudo,
mãe.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Amigos

Não sei como foi que aconteceu, eles só estavam lá.
E, à medida que os encontrava, simplesmente sabia.
Logo, lá estávamos nós, fazendo tudo o que podíamos, rindo, pulando, aprontando.
O que era zoação começou a virar uma espécie de cumplicidade, acertávamos juntos, errávamos juntos. Assumíamos os erros... Juntos.
Vimos uns aos outros mudar, de visual, de atitudes... Ficamos orgulhosos uns dos outros.
Infelizmente, alguns caminhos necessitam de sacrifícios... Alguns se distanciam, outros se aproximam.
Mas o respeito, a parceria, a confiança... Isso não muda.
Estamos juntos, pra tudo e pra nada.
Nossas conversas sempre serão nostálgicas, nossos pensamentos sempre estarão em sintonia.
Não importa o que aconteça, esse é um tipo de união que não acaba, caminhamos juntos, estaremos sempre ali pra levantar quem de nós precisar.
Porque somos amigos, escolhemos isso.
A amizade é uma das maiores preciosidades da vida de alguém.
Posso contar meus amigos nos dedos.
Eles estavam lá em cada momento da minha vida, do mais triste ao mais feliz, do mais inesquecível ao mais comum.
Sempre estiveram lá.
Sei que nossos filhos serão amigos, sei que nos encontraremos em churrascos de fim de semana com família e cachorro.
E até lá muita coisa vai acontecer, muito mudará. Mas a nossa amizade, não.
Somos amigos, é isso o que somos. Me orgulho disso.
Pra mim, é uma honra e um prazer.
Devo muito a vocês.
"Que nossos filhos tenham pais ricos e mães gostosas!". Amém.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Admirável "peso" novo

Ela ia começar a escrever um texto. Um texto sobre qualquer coisa que fluísse. Um texto daqueles que você faz de madrugada, depois de ter visto fotos ainda recentes de antigos amigos. Ela pretendia que ele se desenrolasse de uma frase que tinha em mente, uma frase apenas que doía no peito cada vez que ameaçava cuspi-la, e talvez por isso sempre a mantivesse muda. Escreveu: Quero meus amigos de volta. Eram três da manhã, e no exato segundo que clicou o ponto final, foi surpreendida por uma palavra de afeto, de uma amiga inesperada, num contexto inesperado. Quis chorar, quis sorrir, tremeu um pouco e pensou até em ignorar o sinal. Típico. Mas resolveu dar uma chance ao que, se ela acreditasse, chamariam de acaso. No caminhar da conversa, foi entendendo que se tratava mesmo de álcool e carência, e que o fato de provavelmente ser uma das únicas pessoas disponíveis no horário, fez com que ela fosse procurada naquele momento. Foi atenciosa, e respondeu tudo com muito carinho. Não era nada especial, não era uma tentativa de reparação. Porém, para ela, ainda sim era um sinal. Algo que ela definitivamente não conseguiria e nem saberia lidar. Mas que, por uma noite, depois de tantas carregadas de culpa, a faria se lembrar como era dormir tranquilamente com, no lugar de tantos desconfortáveis, um peso que a agradava sem tamanho. O da amizade.

Texto escrito por @jejesantana.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Deus

Hoje eu vi Deus em uma criança.
Ela não sabia bem o que estava acontecendo em volta, mas logo aprenderá.
Ela ganhará presentes legais no natal, chorará no primeiro dia de escola, e se apaixonará aos 11 anos por um garoto que provavelmente nunca saberá disso.
E logo ela se preocupará com o corpo, se irritará com a forma como o pai a trata, como se ela ainda fosse uma menininha quando, na verdade, já tinha treze!
Terá uma linda e inesquecível festa de quinze anos.
E se decepcionará com o primeiro namorado.
Muito provavelmente ela se casará, terá filhos.
Conhecerá lugares bonitos, terá um livro predileto, e sofrerá quando sair da casa dos pais.
Terá mais dias felizes do que triste, ainda bem! E sentirá saudades de quando ainda podia ser quem ela quisesse.
Mas, inevitavelmente, se perguntará um dia onde está Deus.
Quem Ele é, onde esteve durante todo esse tempo.
Ela terá se esquecido, ou talvez nunca soube, que é em vão tentar pensar em Deus de forma racional. Tentar explicá-lo.
Deus não é uma equação matemática, embora esteja nela.
Pode até ser que ela consiga, mas a melhor forma de entender Deus, é sentindo.
Se ela conseguir ver isso, perceberá que Deus esteve no sorriso do melhor amigo de infância dela, que Ele esteve no lindo dia de Sol no clube certa vez, que era Ele na imensidão do cerrado quando foi acampar com a escola. Ela se lembrará Dele na música da formatura do irmão, na primeira vez que andou de avião, no jardim da casa dela.
Logo perceberá que Deus esteve em cada momento que ela viveu, em cada emoção que sentiu, cada derrota e cada pensamento. Ele esteve em tudo.
Então, ela verá Deus em si mesma, como um dia eu vi.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A árvore

Hoje não era um bom dia, definitivamente não.
Acordei atrasado e cansado, algumas coisas deram errado no trabalho, e o ônibus da volta demorou mais do que de costume.
Tive que ir em pé. Enquanto, dentro dos meus pensamentos, mandava o mundo pra puta que pariu, uma pessoa se levantou.
"Ao menos isso", pensei. E sentei.
Agora sei muito bem que aquilo não foi por acaso. Eu precisava estar sentado pra ver o que viria.
Fiquei olhando pela janela, vendo rostos e rodas passando muito depressa por causa da velocidade do ônibus.
Entre os prédios há muito velhos do Setor Central, algo estranhamente inesperado foi captado pelos meus olhos:
Uma árvore.
Mas não era uma árvore qualquer.
Ela era alta, de forma que tive que olhar para o céu para ver até onde ia, de tronco grosso e escuro que contrastava das folhas muito amarelas e vivas... Única.
A impressão que eu tive foi que ela estava em uma outra freqüência, em outro tempo. Parecia que ali o tempo passava mais lentamente.
As folhas que caiam dançavam suavemente até tocar o chão.
Aquela árvore não combinava com o lugar onde estava. Parecia um santuário entre a selva de pedra.
Senti paz, senti Deus.
Gostaria de poder ter ficado o resto do dia olhando para ela.
O curioso, é que há alguns meses eu estava escrevendo meu livro e tive a vontade de escrever sobre uma árvore que teria muita relevância pra trama. Imaginei ela, trabalhei a imagem dela nos meus pensamentos... Era linda.
Hoje eu pude vê-la no meio da rua.
Amanhã voltarei lá, só pra ter certeza que não foi imaginação.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O ônibus

Havia um velho e um menino sentados no ponto de ônibus.
Nada podia ser ouvido além do vento, quando o menino fez-se ouvir:
-Tio, de onde o ônibus vem?
O velho olhou com curiosidade para o menino pensando como uma mente tão nova pudesse fazer reflexões como aquela.
Por um momento, ele considerou explicar racionalmente, falar sobre a garagem, sobre o serviço que a empresa prestava à cidade. Mas então, ele se lembrou que um coração como aquele ainda não havia sido tocado com as verdades secas do mundo.
-Eles vêm de um lugar chamado "Amanhecer" - começou ele -, é um lugar que homem algum jamais pisou. As portas são feitas de nuvens, e há um arco-íris grande e colorido. Lá, só existe felicidade. O sol é mais claro, o mar é mais refrescante, e os ônibus são criados com o cuspe de dragões grandes e roxos.
Os olhos do menino brilharam enquanto ele olhava o final da rua.
O velho não sabia (como poderia?), mas o menino havia acabado de ser abandonado pela mãe, que disse que ele precisava pegar um ônibus enquanto ela ia a algum lugar qualquer.
Aquela história não levou o menino a nenhum lugar seguro, mas fez da viagem um fardo menos pesado.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sonho

É uma noite qualquer de um dia qualquer.
Mas mesmo em noites como essa, a mágica é possível.
Quando ela acontece, você sente.
O sorriso é inevitável... E que sorriso, eu penso.
Nunca um abraço foi tão forte, quente e prazeroso.
Encaro aqueles olhinhos levemente fechados, incapazes de se abrir diante das lágrimas.
É o momento que eu levarei pro resto da minha vida...
A luz está na medida certa, não há pessoas para interromper.
Um silêncio maravilhoso se faz presente, mas não por completo.
No fundo, lá no fundo dos nossos ouvidos há algo...
É a trilha sonora da vida tocando desinibida, dando a sua graça.
E o que vem na minha cabeça é que alguém lá em cima está cuidando desse momento. Isso me trás a paz necessária.
Eu olho e penso no quanto ela é linda.
Sinto que faria qualquer coisa por ela, quero protegê-la, quero cuidar dela.
Sei que não serei verdadeiramente feliz com mais ninguém,
que eu sou encantado com cada qualidade, defeito, com cada detalhe dela.
E não poderia viver sem isso.
Nesse momento eu me assusto, repasso o que acabei de pensar:
Eu não poderia viver nem mesmo sem os defeitos dela...
Logo eu. Aquilo me faz bem.

É tão claro pra mim, olhando aquele rosto, dos cabelos loiros, passando pelos olhos ainda em prantos, o nariz com pircing sensual, a boquinha pequena... Tudo foi feito pra mim, isso me faz um bem indescritível.
Ali, na minha frente, está tudo o que eu sempre quis.
E tudo isso está explodindo dentro do meu peito, querendo sair de qualquer forma, eu não sou mais capaz de resistir.
Como um milagre em forma de palavras, eu quebro o silêncio:
“Eu te amo".
A frase mais sincera que já saiu da minha boca,
a mágica acontecendo pura e simples,
em uma noite qualquer de um dia qualquer,
o momento mais especial.